Hackers: Filmes desmentem estereótipo divulgado pela mídia

Redação do Site Inovação Tecnológica.



Estereótipo do hacker
Normalmente, quando ouvimos a palavra hacker, imaginamos um adolescente problemático, passando horas à frente de um monitor de computador, teclando com a destreza de um funcionário de cartório e sempre tentando quebrar algum sistema de segurança.
Mas este é apenas um dos lados da história: esses são os chamados hackers do "lado escuro" da Força.
Existem também os hackers que estão do "lado da luz", tão hábeis em computadores quanto seus colegas mais revoltados, mas que se divertem em compreender os meandros da informática em busca de novos aprendizados. 

Hacker versus cracker
A rigor, hacker é um termo que nasceu para designar esse pessoal do bem, enquanto o termo cracker designaria a turma do lado escuro.
Mas o mau uso dos termos pela imprensa já fez o seu trabalho de desinformação, e agora é virtualmente impossível alterar o significado das palavras já incorporado pela população.
Essa ambiguidade resulta em confusão sobre o que os hackers fazem e o que os motiva.
Na tentativa de esconder os próprios erros, a imprensa geralmente aponta os filmes como os grandes culpados pela criação dessa visão negativa dos hackers.
Mas será que os filmes têm realmente culpa? 

Hackers nos filmes
O professor Damian Gordon, do Instituto de Tecnologia de Dublin, na Irlanda, não está tão certo disso. Munido de pipoca suficiente, ele se debruçou sobre filmes de ação dos últimos 40 anos para descobrir como os hackers, crackers e outras categorias de infomaníacos são retratados nas telonas e nas telinhas.
Os resultados são muito interessantes.
Gordon analisou os personagens e as tramas de filmes de ação - não-documentários - a partir de 1968, do clássico A Máquina dos Milhões, de Peter Ustinov, a Duro de Matar 4, Independence Day e Matrix.
No total, Gordon selecionou 50 filmes nos quais um personagem essencial para a trama está envolvido com o "uso avançado da informática" - o chamado hacking, que só pode ser definido como aquilo que os hackers fazem. Na lista estão 8 filmes especificamente sobre hackers, 5 sobre roubos, 18 com participações heroicas do infomaníaco, 15 de ficção científica e 4 sobre tramas da vida real. No conjunto, havia 60 personagens que atendiam aos requisitos para serem chamados de hackers.
21 hackers foram retratadas como tendo 25 anos de idade ou menos, 37 hackers foram retratadas na faixa entre 25 e 50 anos, e apenas 2 já haviam atingido a idade da sabedoria-hacker, com idades de 50 e 75 anos.
Do ponto de vista da ocupação, 19 personagens hackers trabalhavam na indústria de informática, 17 eram hackers em tempo integral, 12 eram estudantes e 12 eram hackers de meio-período, tendo outras profissões.

Moral Hacker
Mas a estatística mais reveladora surge quando se olha a mensagem moral que os filmes passam sobre os hackers: 44 hackers (73%) são do bem e apenas 10 (17%) são do mau.
A conclusão do pesquisador vai muito além de uma análise da arte ou de uma crítica de cinema.
Segundo ele, o estereótipo do hacker que agora já permeia a cultura popular é extremamente deletério e danoso e pode até mesmo cegar os políticos e outros tomadores de decisão para as verdadeiras ameaças para a segurança dos sistemas de informática e de comunicações.
O preconceito pode ainda reduzir os níveis de alfabetização científica e aprendizado da informática, impondo limites muito estreitos para os níveis de conhecimento que as próprias pessoas se imporão sob o risco de serem vistas como profissionais bisbilhoteiros, "perigosos" e até "do mal". 

Educação jornalística
Quanto à cobertura da imprensa sobre o assunto, fica evidente a partir da análise de Gordon que a imagem do hacker presente na cultura popular, como sendo um adolescente esquisito fechado em seu quarto, não está sendo gerado a partir dos filmes. "Na verdade, a maioria dos hackers que aparecem nos filmes são caras bons, entre 25 e 50 anos, que trabalham na indústria da computação ou são hackers em tempo integral," diz o pesquisador. Isto corresponde à definição que os hackers fazem deles próprios, e não ao estereótipo popular. Segundo Gordon, isto pode ajudar a comunidade dos hackers boa-gente a varrer o estereótipo para baixo dos jornais velhos.
 
Bibliografia:
Forty years of movie hacking: considering the potential implications of the popular media representation of computer hackers from 1968 to 2008
Damian Gordon
International Journal of Internet Technology and Secured Transactions
January 2010
Vol.: 2 - Issue 1/2 - pp. 59
DOI: 10.1504/IJITST.2010.031472

Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br
Share:

0 comentários:

Aviso importante!

Não realizamos upload dos ficheiros, apenas reportamos os links que encontramos na própria Internet. Assim, toda e qualquer responsabilidade não caberá ao administrador deste blog. Este blog não tem como objetivo reproduzir as obras, apenas divulgar o que foi encontrado na Internet. Os filmes aqui informados são de cunho científico assim como as séries, as quais são produzidas para exibição em TV aberta. Uma vez que a série não tenha sido ripada de um DVD, ou seja, a mesma foi gravada do sinal de TV aberta com o respectivo selo da emissora. Não é caracterizado crime, pois a mesma foi produzida para exibição pública. Será crime quando for realizado venda desta série ou filme. Quem efetuar download de qualquer ficheiro deste blog, que não tenha seu conteúdo de base Open Source (Código Aberto), ou FOSS (Free Open Source Software), deverá estar ciente que terá 24 horas para eliminar os ficheiros que baixou. Após assistir e gostar do filme ou série, adquira o original via lojas especializadas. Se algo contido no blog lhe causa dano ou prejuízo, entre em contato que iremos retirar o ficheiro ou post o mais rápido possível. Se encontrou algum post que considere de sua autoria, favor enviar e-mail para suporte@delphini.com.br informando o post e comprovando sua veracidade. Muito obrigado a todos que fizeram deste blog um sucesso.

Creative CommonsEsta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Citando nome do autor, data, local e link de onde tirou o texto). Você não pode fazer uso comercial desta obra.Você não pode criar obras derivadas.

Google+ Followers

Nossos 10 Posts Mais Populares